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06.10.20

Distimia | Quando o mau humor é sinal de alerta

Felipe Ornell


É fácil reconhecer quando alguém tem depressão, certo? Nem sempre.

Os transtornos depressivos estão entre as condições mentais mais frequentes e mais conhecidas pela população. Muitas vezes, no entanto, são mal compreendidos e eventualmente banalizados (falamos disso aqui). Por um lado, é muito comum que o termo “depressão” seja utilizado para nomear sintomas disfóricos circunstanciais e transitórios. Por outro, também é frequente que pessoas que de fato se encontram deprimidas não reconheçam os sintomas e, por isso, não busquem tratamento, gerando o agravamento do quadro. O transtorno depressivo persistente, também chamado de distimia, é um dos quadros em que a distinção da fronteira entre o normal e o patológico é mais complexa.

Enquanto a forma mais severa da depressão impede que a pessoa trabalhe e faça as atividades do dia a dia, na distimia os sintomas são menos intensos. Ou seja, se trata de um tipo de depressão crônica com intensidade moderada. Diferente do episódio depressivo maior, que se instala abruptamente e frequentemente gera mudanças drásticas no humor e no comportamento (evidenciados por terceiros), na distimia essa ruptura não é bem delimitada, o que pode dificultar o diagnóstico. A grande diferença é que para caracterizar uma depressão os sintomas devem persistir por pelo menos duas semanas (e são intensos), e na distimia devem estar presentes durante dois anos ou mais (e são moderados).

A característica central da distimia é o mau humor constante (aliás o termo "distimia" é originário da Grécia Antiga e significa "mau humor"), porém há outros sintomas associados, por exemplo: baixa autoestima, introversão, melancolia, apatia, cansaço, ausência de senso de humor, irritabilidade e elevado senso de autocrítica. Em geral são pessoas poliqueixosas (reclamam de tudo) e pessimistas, com tendência a enxergar apenas o lado negativo das coisas. Este conjunto de fatores pode tornar o relacionamento interpessoal e a convivência bastante difíceis.

Geralmente, a distimia surge entre o final da adolescência e o início da vida adulta. Como o curso é crônico e menos incapacitante (a priori) do que a depressão maior, é comum que as pessoas com este transtorno interpretem os sintomas como características de personalidade. Logo, frases como “eu sempre fui assim” são frequentes. Não é incomum que pessoas que sofrem com esta condição passem anos, ou até mesmo décadas, sofrendo sem procurar ajuda.

Historicamente, a distimia foi considerada menos grave que a depressão maior. Porém, atualmente se sabe que por ser uma doença silenciosa, a busca tardia por tratamento pode gerar consequências drásticas, eventualmente mais graves do que a depressão maior. Como no episódio depressivo, os sintomas são mais proeminentes, isso facilita a identificação da condição e pode permitir o tratamento precoce. Já na distimia, o quadro de angústia constante afeta de forma prolongada o desempenho acadêmico, profissional, o estabelecimento de vínculos afetivos e a qualidade de vida, fatores que podem facilitar o desenvolvimento de outras condições psiquiátricas, como transtornos de ansiedade, o uso de substâncias e inclusive a ocorrência de transtorno depressivo maior.

Como identificar a distimia

O principal critério é a presença de humor deprimido na maior parte do dia, na maioria dos dias por pelo menos dois anos. Durante este período a pessoa jamais passou mais de 2 meses sem sintomas. Além disso, é necessário que dois ou mais dos seguintes sintomas estejam presentes:

  • Apetite diminuído ou alimentação em excesso.
  • Insônia ou excesso de sono.
  • Baixa energia ou fadiga.
  • Baixa autoestima.
  • Concentração pobre ou dificuldade em tomar decisões.
  • Sentimentos de desesperança

Distimia tem tratamento, a associação de intervenções farmacológicas com intervenções psicoterápicas tem se mostrado eficaz na remissão ou redução dos sintomas, reduzindo o risco de desenvolvimento de transtornos mentais concomitantes, melhorando o prognóstico e a qualidade de vida.

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Felipe Ornell, psicólogo

 

Patel RK, Rose GM. Persistent Depressive Disorder (Dysthymia) [Updated 2020 Jun 29]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK541052/

APA. (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders (DSM-5). Washington: American Psychiatric Association.

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Patel, R. K., & Rose, G. M. (2020). Persistent Depressive Disorder (Dysthymia). In StatPearls. StatPearls Publishing.

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Felipe Ornell

Psicólogo clínico, possui Residência em Saúde Mental (ESPRS) e especialização em Dependência Química; Mestre e Doutorando em Psiquiatria e Ciências do Comportamento (UFRGS). Pesquisador no Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Editor da Revista Brasileira de Psicoterapia. Professor titular do curso de Psicologia da Faculdade IBGEN, Grupo Uniftec e responsável técnico pelo Previne Saúde Mental.


E-mail: felipeornell@gmail.com
Site: http://lattes.cnpq.br/5402861891632171

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