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29.09.20

Depressão | Muito além de tristeza

Felipe Ornell


Todos nós já passamos por momentos de tristeza. Geralmente, estes episódios são isolados, transitórios, e entram em remissão espontânea após alguns dias sem gerar grandes prejuízos, nem a necessidade de buscar tratamento especializado. A noção de que a intensificação deste quadro pode indicar a ocorrência da depressão – o “mal do século” como é frequentemente chamada – está bem consolidada socialmente. O que ainda é pouco divulgado é que, nem sempre, os quadros depressivos são acompanhados de tristeza aparente. Com frequência, outros sintomas nucleares são subestimados, o que pode dificultar a identificação do transtorno, e consequentemente tardar a busca pelo tratamento — afetando a saúde mental, a capacidade funcional e a qualidade de vida.

Afinal o que é depressão?

Depressão é um termo genérico, utilizado para se referir aos transtornos depressivos, um espectro de seis transtornos que tem como elemento comum a presença de humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam significativamente a capacidade de funcionamento do indivíduo. O que difere entre estas condições é a etiologia presumida, o tempo e a intensidade dos sintomas.

Os quadros depressivos caracterizados pela sintomatologia são:

  • Transtorno depressivo maior (muitas vezes chamado de depressão maior ou de depressão unipolar).
  • Transtorno depressivo persistente (distimia).
  • Outro transtorno depressivo específico ou inespecífico.

E os classificados pela etiologia são:

  • Transtorno disfórico pré-menstrual.
  • Transtorno depressivo decorrente de outra doença (doença de Parkinson e disfunção na tireoide, por exemplo).
  • Transtorno depressivo induzido por substância/medicação (álcool e maconha, por exemplo).

Os transtornos depressivos são frequentes?

Os transtornos depressivos são muito prevalentes na população geral. O transtorno depressivo maior, por exemplo, afeta cerca de 5 a 17 por cento da população, sendo que em mulheres a estimativa é duas vezes maior do que em homens. Isso pode ser explicado por diferenças hormonais, efeitos do parto, e também dos estressores psicossociais distintos entre os sexos.

Apesar de ocorrerem em qualquer idade, normalmente os transtornos depressivos se desenvolvem em meados da adolescência, terceira ou quarta década de vida. Embora a idade média de início seja de cerca de 40 anos, pesquisas recentes mostram tendências de aumento da incidência na população mais jovem devido ao uso de álcool e outras drogas de abuso.

É importante destacar que os sintomas típicos da depressão também ocorrem durante outras condições mentais, como o transtorno bipolar, os transtornos de ansiedade e de personalidade, entre outros. Além disso, os protocolos psicoterapêuticos e farmacológicos podem ser distintos entre estas condições, o que ressalta a importância de um diagnóstico correto.

Estimativas de depressão em advogados

Estados Unidos entre 28 e 31% dos advogados

Inglaterra – 31%

Austrália – 60% dos advogados

Rio  Grande do Sul - 26%

Quais são os principais sintomas evidenciados durante quadros depressivos?

  • Humor deprimido ou triste durante a maior parte do dia (ou humor irritável)
  • Diminuição acentuada do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades
  • Ganho ou perda de peso (mais de 5%)
  • Diminuição ou aumento do apetite
  • Insônia (muitas vezes insônia de manutenção do sono) ou hipersonia (excesso de sono)
  • Agitação ou lentificação psicomotora (observados por outros pessoas)
  • Fadiga ou perda de energia
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada
  • Capacidade diminuída de pensar, concentrar-se ou indecisão
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio, tentativa de suicídio ou um plano específico para cometer suicídio

Ressalta-se que os sintomas depressivos podem sofrer variações de acordo com o sexo, humor irritável, mau humor e dores físicas, por exemplo, são mais frequentes em homens.

Prognóstico

O prognóstico varia de acordo com o grau de intensidade (leve, moderado ou grave) e com o tipo de depressão. Atualmente, se sabe que é uma doença crônica recorrente; a taxa de recorrência é de cerca de 50% após o primeiro episódio, 70% após o segundo episódio e 90% após o terceiro episódio. A gravidade e a cronicidade dos transtornos depressivos também estão relacionadas a perda funcional e a piora da qualidade de vida. Ainda, está bem descrito que cerca de dois terços dos indivíduos com transtorno depressivo maior pensam em suicídio, e cerca de 10 a 15% o cometem. 

É fundamental que as pessoas que experimentam sintomas depressivos de forma recorrente (por mais de duas semanas) busquem auxílio especializado. O diagnóstico precoce permite a implementação de medidas terapêuticas (psicoterapêuticas e farmacológicas) diminuindo a perda funcional e a morbimortalidade. Porém, o preconceito e o estigma muitas vezes impede a busca por tratamento, gerando o agravamento do quadro.

Nas próximas semanas iremos discutir os principais transtornos depressivos. Se você se identificou com estes sintomas não precisa esperar. A CAA/RS oferece atendimento psicológico presencial (marque sua consulta em nosso Centro de Saúde), com profissionais conveniados  (CLIQUE AQUI e conheça os conveniados) e on-line (CLIQUE AQUI e marque a sua consulta).

Referências

APA. (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders (DSM-5). Washington: American Psychiatric Association.

Bains N, Abdijadid S. Major Depressive Disorder. [Atualizado em 27 de junho de 2020]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; Janeiro de 2020

Bee Touch (2018). I Mapeamento de Saúde da Caixa dos Advogados do Rio Grande do Sul (CAA/RS).

Krill, P. R., Johnson, R., & Albert, L. (2016). The Prevalence of Substance Use and Other Mental Health Concerns Among American Attorneys. Journal of addiction medicine, 10(1), 46–52.

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Felipe Ornell

Psicólogo clínico, possui Residência em Saúde Mental (ESPRS) e especialização em Dependência Química; Mestre e Doutorando em Psiquiatria e Ciências do Comportamento (UFRGS). Pesquisador no Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Editor da Revista Brasileira de Psicoterapia. Professor titular do curso de Psicologia da Faculdade IBGEN, Grupo Uniftec e responsável técnico pelo Previne Saúde Mental.


E-mail: felipeornell@gmail.com
Site: http://lattes.cnpq.br/5402861891632171

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