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21.07.20   |  TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

Mindfulness: conheça, pratique e tenha uma vida melhor

Felipe Ornell


Você não pode parar as ondas, mas pode aprender a surfar

Jon Kabat-Zinn

O ser humano passa muito tempo ruminando e se culpando pelo passado, e angustiado com as expectativas futuras. Frequentemente, a experiência do aqui e agora se perde diante do da análise interminável do que passou e do planejamento do que virá. Mas e se fosse possível romper este ciclo interminável e sair do piloto automático?

Nos últimos anos o Mindfulness (ou atenção plena) tem se tornado cada vez mais popular no contexto clínico, acumulando evidências científicas favoráveis no tratamento complementar de diversos problemas psicológicos, como ansiedade, depressão (1), estresse (2), insônia (3), uso de substâncias (4), e também em condições físicas como dor crônica (5) e fibromialgia, entre outras (6). Isso é explicado pelo efeito das práticas no cérebro e na regulação dos processos fisiológicos (6).

Mas afinal, o que é o Mindfulness?

Kabat-Zinn (1990) define mindfulness como uma forma específica de atenção plena – concentração no momento atual, intencional, e sem julgamento. Concentrar-se no momento atual significa estar em contato com o presente sem estar envolvido com lembranças ou com pensamentos sobre o futuro. Considerando que as pessoas funcionam muito num modo que o autor chama de piloto automático, uma forma pouco flexível de lidar com os eventos do momento. Logo, a intenção da prática de mindfulness seria exatamente trazer a atenção plena para a ação no momento atual (7).

O Mindfulness emergiu do budismo, surgido na Índia por volta de 600 aC, apesar de atualmente, não estar necessariamente ligado aos seus pressupostos dogmáticos. Isso torna a prática particularmente interessante para pessoas que não estão dispostas a se envolver com tradições religiosas, mas se interessam pelos benefícios potenciais de regulação emocional proporcionado pelas práticas (4).

Resumidamente, Buda considerou o sofrimento uma parte essencial da existência, desencadeada por pensamentos, sentimentos e comportamentos e inadequados, que frequentemente partem do automatismo. Diante disso, desenvolveu pressupostos éticos, filosóficos, de conduta, e de exercícios de meditação como um meio de transcender o sofrimento e atingir iluminação (4). Muitas das práticas meditativas do budismo são executadas a partir de técnicas de concentração e atenção plena - Mindfulness (que envolvem, por exemplo, o foco em uma sensação, um único ponto no espaço, uma cor, um objeto, um som ou um estado afetivo, como compaixão); técnicas difusas (que envolvem principalmente o desenvolvimento da conscientização, o aumento da atenção e a promoção de uma atitude imparcial - sem julgamento - e neutra em relação aos fenômenos em geral); e algumas técnicas oscilam igualmente entre os dois (4).

Os exercícios de Mindfulness são, de certa forma, manualizações de algumas práticas meditativas orientais que agregam elementos da Psicologia ocidental. Isso permitiu a incorporação em várias modalidades terapêuticas, em alguns casos como elemento central [Terapia Cognitiva Baseada em Mindfulness (MBCT) e Mindfulness Baseado na Redução do Estresse (MBSR), por exemplo] ou como componente complementar [Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT), Terapia da Compaixão (TC) e a Terapia Comportamental Dialética (DBT), por exemplo]. Atualmente, há inúmeros exercícios de Mindfulness, em diferentes formatos, alguns como práticas formais e outros como práticas informais (inseridas no cotidiano), todos indicados para cultivar habilidades de atenção plena.

Trata-se de um processo progressivo, no qual se aprende a compreender pensamentos, emoções e sensações corporais, sem reagir de maneira automática ou habitual. Além disso, a prática envolve o não julgamento ao momento presente, para isso, se utiliza da autocompaixão e da aceitação das experiências desafiadoras (internas ou externas). Este processo auxilia na regulação das emoções e na criação de estratégias assertivas para gerenciar circunstâncias difíceis, proporcionando escolhas mais conscientes e funcionais, principalmente, diante dos desafios cotidianos.

Para quem está começando (ou planejando) na pratica do Mindfulness é importante destacar que se trata de um estado “treinável” de atenção diligente, portanto é normal que se experimente uma certa dificuldade nas primeiras experiências.

O canal TV Mente Aberta - Mindfulness Brasil traz diversas práticas autoguiadas de Mindfulness, com várias finalidades e durações (acesse AQUI e AQUI)

Felipe Ornell, psicólogo

 

Referências

 

1.         Goyal M, Singh S, Sibinga EMS, Gould NF, Rowland-Seymour A, Sharma R, et al. Meditation Programs for Psychological Stress and Well-being: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Intern Med. 2014;174(3):357-68.

2.         Khoury B, Lecomte T, Fortin G, Masse M, Therien P, Bouchard V, et al. Mindfulness-based therapy: a comprehensive meta-analysis. Clinical psychology review. 2013;33(6).

3.         Gong H, Ni CX, Liu YZ, Zhang Y, Su WJ, Lian YJ, et al. Mindfulness meditation for insomnia: A meta-analysis of randomized controlled trials. Journal of psychosomatic research. 2016;89.

4.         Dakwar E, Levin FR. The Emerging Role of Meditation in Addressing Psychiatric Illness, with a Focus on Substance Use Disorders. Harv Rev Psychiatry. 2009;17(4):254-67.

5.         Hilton L, Hempel S, Ewing BA, Apaydin E, Xenakis L, Newberry S, et al. Mindfulness Meditation for Chronic Pain: Systematic Review and Meta-analysis. Annals of behavioral medicine : a publication of the Society of Behavioral Medicine. 2017;51(2).

6.         Ngô TL. [Review of the effects of mindfulness meditation on mental and physical health and its mechanisms of action]. Sante mentale au Quebec. 2013;38(2).

7.         Vandenberghe L, Sousa ACA. Mindfulness nas terapias cognitivas e comportamentais. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 2006; 2(1), 35-44.

 

 

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Felipe Ornell

Psicólogo clínico, possui Residência em Saúde Mental (ESPRS) e especialização em Dependência Química; Mestre e Doutorando em Psiquiatria e Ciências do Comportamento (UFRGS). Pesquisador no Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Editor da Revista Brasileira de Psicoterapia. Professor titular do curso de Psicologia da Faculdade IBGEN, Grupo Uniftec e responsável técnico pelo Previne Saúde Mental.


E-mail: felipeornell@gmail.com
Site: http://lattes.cnpq.br/5402861891632171

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