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12.05.20   |  TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

Como a COVID-19 impacta na saúde mental da Advocacia?

Felipe Ornell


A pandemia da Covid-19 é uma emergência sem precedentes na história contemporânea e tem acarretado inúmeros desafios políticos e sociais em todo o mundo (1). Diversos estudos recentes têm sinalizado que a insegurança relacionada ao risco de contaminação, a instabilidade econômica e os efeitos emocionais do isolamento refletem na saúde mental da população. Sintomas de ansiedade, depressão, medo, raiva, estresse, estresse pós-traumático e intensificação no uso de substâncias tem sido observados durante a pandemia. Isso tem gerado preocupação e tornando as estratégias de atenção a saúde mental uma urgência (2-4).

Para avaliar o impacto do processo pandêmico na saúde mental – e física se considerarmos os transtornos psicossomáticos – é imprescindível identificar grupos populacionais que apresentam fatores de risco e proteção semelhantes e que tem tido a vida e a rotina afetada de uma forma similar. Diante disso, é importante refletir sobre os reflexos da COVID-19 na saúde mental de advogados e demais profissionais da área jurídica, e para isso é necessário fazer uma breve retomada histórica.

Sabemos que entre dezembro e março, a tramitação dos processos é impactada pelos recessos do natal, do carnaval e pela redução do efetivo no período de férias. Ainda, precisa-se ponderar que os escritórios de advocacia costumam apresentar uma redução na receita durante o período de férias. Em geral, estes contratempos, já estão previstos no planejamento anual, porém, foi agravado pela greve do judiciário de 2019, gerando atraso nos proventos e desgaste emocional adicional. Este conjunto de estressores pode ser intensificado pelas medidas de isolamento e distanciamento social (5), que começaram a ser implementadas justamente em março, justamente quando as atividades do judiciário começam a retomar o funcionamento normal.

Isso é agravado pelas demandas familiares que se atravessam com a urgência da necessidade de implementação imediata de novos fluxos e processos de trabalho. Ainda, há a suspensão do andamento de processos físicos e a incerteza sobre o tempo em que as atividades funcionarão em ritmo alterado. Tendo em vista que grande parte dos profissionais tem a renda condicionada a tramitação de processos, isso é um estressor adicional. Além disso, em um momento em que a população se vê obrigada a reorganizar os gastos, ainda é possível que pagamentos sejam postergados e contratos revistos. Assim, além dos efeitos diretos da pandemia sobre a vida cotidiana e o reflexo no estado emocional, advogados e advogadas tem se deparado com o desgaste cumulativo do último ano.

A emergência ou intensificação de estados disfóricos (tristeza, raiva, tédio, ansiedade) é potencializada em momentos de crise, isso pode ser particularmente importante em advogados, uma das profissões com maiores índices de estresse (6, 7). Além disso, os transtornos mentais foram os principais motivos para afastamentos no trabalho na área jurídica, motivando 30% das licenças médicas de advogados e 60% de procuradores entre 2012 e 2018 (8).

Logicamente as pessoas são afetadas de forma diferente. Todavia, possivelmente uma grande parcela dos advogados está apresentando sintomas como a tristeza, ansiedade e apreensão neste momento, e na maioria dos casos isso não deve evoluir para condições graves. Apesar destes sintomas serem esperados diante da situação atual, é importante que eles sejam monitorados, caso ocorra uma intensificação (cerca de duas semanas de sintomas diários e intensos que trazem sofrimento e interferem na rotina, no sono, entre outros...) é importante buscar auxílio especializado (9).

Este conjunto de fatores chama a atenção para a necessidade de estabelecimento imediato de medidas de apoio psicológico qualificado, ofertadas remotamente (2, 10). Além disso, estas estratégias precisam ser seguras, financeiramente viáveis e facilmente acessíveis, inclusive pela população que reside fora da área metropolitana. Enquanto diversas entidades correm contra o tempo para implementar serviços remotos de atenção a saúde mental a CAARS já possui uma plataforma em funcionamento e que reúne todos os requisitos indicados pelas organizações internacionais.

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Felipe Ornell – Psicólogo

Claridê Chitolina Taffarel – Advogada

 

Referências

 

1.         WHO. Novel Coronavirus (2019-nCoV) situation reports. World Health Organization; 2020.

2.         Ornell F, Schuch JB, Sordi AO, Kessler FHP. "Pandemic Fear" and COVID-19: Mental Health Burden and Strategies. Revista brasileira de psiquiatria (Sao Paulo, Brazil : 1999). 2020.

3.         WHO. Mental Health and Psychosocial Considerations During COVID-19 Outbreak: World Health Organization; 2020 [Available from: https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/mental-health-considerations.pdf?sfvrsn=6d3578af_8.

4.         CDC. Mental Health and Coping During COVID-19. 2020.

5.         Chatterjee K, Chauhan V. Epidemics, quarantine and mental health. Med J Armed Forces India.

6.         Krill PR, Johnson R, Albert L. The Prevalence of Substance Use and Other Mental Health Concerns Among American Attorneys. J Addict Med. 2016;10(1):46-52.

7.         Bee-Touch. I Mapeamento de Saúde da Caixa dos Advogados do Rio Grande do Sul. 2018.

8.         Olivon B. Transtorno mental é principal causa de afastamento do trabalho. Valor econômico. 2019.

9.         APA. Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders -  DSM - 5. 5th.ed. Washington: American Psychiatric Association (APA), 2013.  DSM -IV-TR TM. 2013.

10.      Li S, Wang Y, Xue J, Zhao N, Zhu T. The Impact of COVID-19 Epidemic Declaration on Psychological Consequences: A Study on Active Weibo Users. International journal of environmental research and public health. 2020;17(6).

 

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Felipe Ornell

Psicólogo clínico, possui Residência em Saúde Mental (ESPRS) e especialização em Dependência Química; Mestre e Doutorando em Psiquiatria e Ciências do Comportamento (UFRGS). Pesquisador no Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Editor da Revista Brasileira de Psicoterapia. Professor titular do curso de Psicologia da Faculdade IBGEN, Grupo Uniftec e responsável técnico pelo Previne Saúde Mental.


E-mail: felipeornell@gmail.com
Site: http://lattes.cnpq.br/5402861891632171

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