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19.01.21

Janeiro branco | Saúde mental para além da Psicoterapia

Felipe Ornell


O que motiva a busca pelo processo psicoterapêutico? Talvez a resposta pareça óbvia: o sofrimento psíquico, a doença mental. Porém, o tratamento dos transtornos mentais é apenas uma das finalidades da Psicoterapia. Resolução de conflitos psíquicos, planejamento e reorientação de carreira, desenvolvimento pessoal, melhora do relacionamento interpessoal, autoestima, redução ou eliminação de sintomas disfóricos, manejo do estresse, tolerância a frustração e suporte psíquico, por exemplo, são temas frequentes no contexto terapêutico, e que nem sempre tem como pano de fundo a existência de um transtorno mental.

Sofrimento não é sinônimo de transtorno mental

Nem tudo que traz sofrimento é psicopatologia, mas tudo que reduz os efeitos de uma psicopatologia ajuda a reduzir o sofrimento e consequentemente a melhorar a qualidade de vida. Tristeza, medo, raiva e ansiedade são fenômenos normais, o problema é quando estes sintomas ocorrem de forma recorrente, afetando o comportamento, a funcionalidade e gerando sofrimento prolongado (e, às vezes, normalizado sob a justificativa de que a vida é assim). Diante disso, é importante destacar que há dois lados obscuros de uma mesma moeda. Por um lado, há a patologização do sofrimento, a negação de estados disfóricos (o que as vezes pode potencializar a busca por anestesia – falamos disso AQUI). Por outro, o estigma em buscar suporte e ser taxado de louco (falamos disso AQUI). Estas duas situações comuns podem colaborar para a desassistência e para a consolidação de sintomas.

Construindo uma vida que valha a pena ser vivida

Tendo em vista o conceito ampliado de saúde (falamos disso AQUI), podemos dizer que o foco da terapia, em último grau, é sempre o desenvolvimento de potencialidades que permitam melhorar a qualidade de vida (o que as vezes envolve tratar um transtorno, e as vezes não). Como diria Marsha Linean, o objetivo principal é construir uma vida que valha a pena ser vivida, e isso inevitavelmente esbarra constantemente na necessidade de arquitetar mudanças. É fato, pessoas que buscam por terapia (psicoterapêutica, farmacológica, holística...), desejam modificar algo. O problema é que o objeto contemplado como problemático nem sempre condiz com a realidade, e o PROCESSO de mudança frequentemente esbarra em reconhecer aspectos dolorosos e assumir a responsabilidade pelas decisões e pelas suas consequências. Além disso, amenizar sintomas é uma coisa, identificar e resolver as causas é outra bem diferente.

Durante a terapia, principalmente embasada na escola cognitivo comportamental, pensamentos, sentimentos e comportamentos são analisados, aspectos funcionais e disfuncionais são contemplados, pontos cegos são identificados. A partir disso, metas são definidas (e revisadas constantemente), estratégias de superação são implementadas de forma sistemática e a sua efetividade é examinada constantemente. Isso é um processo, por vezes demorado, e que pode esbarrar em uma angústia temporária (e necessária) que precisa ser manejada por comportamentos do cotidiano.

Muitas vezes o contextoterapêutico é o único espaço para o indivíduo reconhecer fragilidades, exercitar potencialidades e tecer planejamentos e estratégias sem se sentir julgado. Se trata de um treino de uma hora (o tempo médio da sessão) para uma jornada de 167 horas (a duração da semana). Talvez isso justifique, pelo menos em parte, a importância de implementar outras estratégias, simples ou complexas, que ajudem a alcançar o equilíbrio e extrapolar o constructo terapêutico para a vida diária.

Terapia não é a única forma de alcançar a saúde mental

Apesar dos benefícios das terapias - sobretudo pautadas na abordagem cognitiva comportamental - estarem bem sustentados cientificamente, é necessário ponderar que há outras estratégias que auxiliam na melhora da resiliência, da assertividade e da qualidade de vida. A acupuntura, por exemplo, tem demonstrado bons resultados para a dor crônica. Para manejo do estresse e da ansiedade, há muitas evidências sustentando que a prática de atividade física, yoga, mindfulness e o envolvimento com a religiosidade / espiritualidade tem sido associados a benefícios importantes. De uma forma simplista, a prática de atividades físicas e que ajudam a relaxar podem auxiliar na regulação do funcionamento do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal, que está relacionado ao estresse.

O que serve para quem?

Nem tudo serve para todo mundo. Identificar o que serve para quem é fundamental para otimizar os resultados terapêuticos e agregar estratégias (pontuais ou longitudinais). Ou seja, qual paciente, com qual condição, se beneficia de qual técnica (ou conjunto de estratégias), implementada com qual objetivo, por qual profissional em qual momento da vida? Percebam que isso permite contemplar inclusive indivíduos que não apresentam nenhuma enfermidade, mas que desejam alcançar um envelhecimento saudável, por exemplo.

O que você gostaria de mudar? O que te faria mais feliz?

Observem que a estratégia terapêutica depende do objetivo a ser alcançado. Então, as perguntas chave são: o que você gostaria de melhorar? O que te incomoda? Às vezes, o primeiro passo da terapia é justamente começar a revelar estas motivações. Com base nestes questionamentos, outras indagações precisam ser exploradas: o que isso diz sobre você? Desde quando isso ocorre? o que você precisa para alcançar isso? O que te bloqueia? Há algum atrapalhador? Como gerenciar atrapalhadores? Há algum ponto cego? Como você saberá que a sua estratégia está funcionando? Todos estes questionamentos, entre outros tantos possíveis têm a finalidade de ampliar o grau de compreensão e de clareza sobre os processos psíquicos que sustentam determinadas ações ou modos de funcionamento.

No fim das contas, o objetivo de tudo é a felicidade. Você já pensou o que você precisa para ser mais feliz e em como as suas percepções e escolhas podem te aproximar ou afastar disso?

Por fim, é importante lembrar que o Previne Saúde Mental contempla uma perspectiva ampliada de saúde e tem como objetivo melhorar a qualidade de vida dos (as) advogados (as) gaúchos (as). Além do acesso facilitado a terapia e de matérias semanais que tem como finalidade abordar pautas emergentes, quebrar o estigma e criar uma cultura de cuidado com a saúde mental; contamos com outras estratégias como, por exemplo, o acesso a atividade física e a meditação. 

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Felipe Ornell

Psicólogo clínico, possui Residência em Saúde Mental (ESPRS) e especialização em Dependência Química; Mestre e Doutorando em Psiquiatria e Ciências do Comportamento (UFRGS). Pesquisador no Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Editor da Revista Brasileira de Psicoterapia. Professor titular do curso de Psicologia da Faculdade IBGEN, Grupo Uniftec e responsável técnico pelo Previne Saúde Mental.


E-mail: felipeornell@gmail.com
Site: http://lattes.cnpq.br/5402861891632171

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