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12.01.21

Atividade física | Saúde para o corpo e para a mente

Felipe Ornell


Alimentação balanceada, prática regular de atividade física, boas noites de sono, regulação do estresse, satisfação no trabalho, relações sociais significativas, momentos para relaxar. Frequentemente esta fórmula é transmitida como a receita da longevidade e da qualidade de vida, porém colocar tudo isso em prática pode ser uma tarefa bastante complexa (e até mesmo frustrante). Isso pode ser ainda mais difícil para profissionais de áreas muito competitivas, que enfrentam longas jornadas de trabalho, pressão constante e que, ao final do dia, frequentemente querem apenas descansar. Alguma semelhança com a sua rotina, advogado (a)?

Diante disso, talvez um dos itens mais incluídos (e menos concretizados) nas metas de ano novo é justamente a prática de atividade física. Tendo em vista que o Janeiro Branco tem o objetivo abordar a saúde mental, é fundamental destacar estratégias que auxiliem tanto na promoção da qualidade de vida e na prevenção de enfermidades, quanto na recuperação da saúde. Isso torna obrigatória a discussão sobre atividade física.

Saúde mental não se faz apenas com terapia

Inicialmente, é importante ressaltar que saúde mental não se restringe a ausência de transtornos mentais, mas diz respeito ao funcionamento pessoal ideal “resultando em atividades produtivas, relacionamentos gratificantes com outras pessoas e a capacidade de se adaptar à mudança e enfrentar a adversidade” (falamos disso AQUI). Logo, diversos recursos, além da Psicoterapia, podem ser utilizados para fortalecer a saúde psíquica, incluindo a prática de atividades físicas. Mas será que existem evidências científicas demonstrando os efeitos da atividade física na saúde mental? Será que a ponderação clássica “o exercício faz você se sentir bem”, pautada nos efeitos psicológicos imediatos de atividades físicas (como caminhadas ou exercícios estruturados, por exemplo) possui respaldo científico?

Evidências da atividade física na saúde mental

Antes de tecer afirmações genéricas, é importante reconhecer que a atividade física deve ser vista como um continuum que varia de praticamente nenhum movimento (por exemplo, comportamento sedentário e longos períodos sentado) a atividades físicas leves (por exemplo, caminhadas breves) e a atividade física moderada a vigorosa (por exemplo, exercícios físicos, aeróbica, esportes, bicicleta...).

Nos últimos anos, inúmeras investigações científicas têm confirmado a hipótese de que o exercício físico melhora a saúde mental. Um estudo prévio realizado por Chekroud e colaboradores mostrou que a correlação com a carga de saúde mental foi mais baixa quando os indivíduos se engajaram em cerca de 45 minutos de exercícios, 3-5 dias por semana. Isso está de acordo com as recomendações internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do American College of Sports Medicine (ACSM), que indicam que adultos saudáveis devem se envolver em exercícios aeróbicos de intensidade moderada por 30 min por dia, 5 dias por semana, ou exercício aeróbio de intensidade vigorosa por 20 min por dia, 3 dias por semana para manter sua saúde física. Além disso, sessões adicionais de exercícios foram recomendadas para reduzir o risco ao longo da vida de doenças crônicas ou ganho de peso prejudicial à saúde e melhorar a aptidão cardiovascular.

Não podemos descartar, no entanto, que a quebra contínua do sedentarismo também pode trazer mudanças positivas. Nos últimos anos, inúmeros estudos têm reportado que tanto episódios isolados de exercício físico quanto de programas de atividade física longitudinais tem potencial preventivo e também terapêutico, auxiliando na redução do estresse, de sintomas de ansiedade e disforia.

De uma forma geral, as evidências prévias sustentam que a atividade física afeta uma ampla variedade de resultados psicológicos, incluindo:

  • Melhora do humor;
  • Melhora da autoestima;
  • Melhora o funcionamento e previne o declínio cognitivo;
  • Melhora de sintomas de depressão e ansiedade;
  • Melhora do sono;
  • Regulação hormonal;
  • Melhora da qualidade de vida;
  • Desenvolvimento de habilidades (sociais, físicas e funcionais);
  • Previne a ocorrência de transtornos mentais.

 

A importância de achar a modalidade ideal para você

Por um lado, precisa-se considerar que há os processos físicos associados ao exercício, e por outro, alguns dos benefícios para a saúde mental podem estar associados ao fato das pessoas realizarem atividades que elas “querem” e gostam. Logo, não devemos ser muito prescritivos quanto aos tipos de atividades recomendados para a saúde mental. Além disso, algumas modalidades podem potencializar o desenvolvimento de habilidades e competências relacionadas a imagem corporal, a aptidão física e as habilidades sociais.

Então, antes de planejar uma atividade física, é importante analisar quais modalidades estão de acordo com a sua personalidade e com o seu estilo de vida. Isso pode tornar a prática regular mais leve e satisfatória e, consequentemente, a manutenção mais provável.

 

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Referências

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Chekroud, S. R., Gueorguieva, R., Zheutlin, A. B., Paulus, M., Krumholz, H. M., Krystal, J. H., & Chekroud, A. M. (2018). Association between physical exercise and mental health in 1·2 million individuals in the USA between 2011 and 2015: a cross-sectional study. The lancet. Psychiatry5(9), 739–746. https://doi.org/10.1016/S2215-0366(18)30227-X

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Jacob, L., Tully, M. A., Barnett, Y., Lopez-Sanchez, G. F., Butler, L., Schuch, F., López-Bueno, R., McDermott, D., Firth, J., Grabovac, I., Yakkundi, A., Armstrong, N., Young, T., & Smith, L. (2020). The relationship between physical activity and mental health in a sample of the UK public: A cross-sectional study during the implementation of COVID-19 social distancing measures. Mental health and physical activity19, 100345. https://doi.org/10.1016/j.mhpa.2020.100345

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Felipe Ornell

Psicólogo clínico, possui Residência em Saúde Mental (ESPRS) e especialização em Dependência Química; Mestre e Doutorando em Psiquiatria e Ciências do Comportamento (UFRGS). Pesquisador no Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Editor da Revista Brasileira de Psicoterapia. Professor titular do curso de Psicologia da Faculdade IBGEN, Grupo Uniftec e responsável técnico pelo Previne Saúde Mental.


E-mail: felipeornell@gmail.com
Site: http://lattes.cnpq.br/5402861891632171

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