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29.12.20

Desejo de Ano Novo | Saúde (mental) para dar e vender

Felipe Ornell


Um ciclo se fecha e é difícil permanecer imune ao clima de retrospectiva e a um certo grau de nostalgia intrínsecos ao final do ano. Medo, tristeza, isolamento, raiva, preocupação, frustração, reinvenção, transformação... muitos adjetivos poderiam ser usados para tentar explicar 2020 – e todos os desafios deste ano peculiar. Ao olhar para trás fica claro que o mundo não é mais como costumava ser há um ano. A vida das pessoas foi transformada, as expectativas e prioridades mudaram, e a saúde mental deixou de ser uma pauta secundária para tomar um lugar central. Logo, abordar este tema no último texto do ano é inevitável.

Ainda em 2019, a CAA/RS colocou em prática uma proposta inédita, complexa e desafiadora: implementar um programa de saúde mental pautado nas especificidades dos advogados gaúchos. Tal estratégia foi desenvolvida diante do cenário preocupante, evidenciado no Mapeamento de Saúde realizado em 2018 e agravado pela inexistência de programas voltados às questões mentais deste público. Por um lado, havia um grande obstáculo: o estigma que concebe a terapia como algo para fracos, para loucos, concepções que impedem a busca por auxílio especializado e que muitas vezes custam a vida. Por outro, o desafio de facilitar o acesso a medidas terapêuticas, principalmente para quem reside no interior.

Sem saber o que 2020 reservava, as ações estratégicas da CAA/RS ocorreram em um momento providencial, o que permitiu que advogados – amplamente prejudicados com a pandemia – tivessem acesso facilitado a medidas de suporte e acompanhamento psicológico. Enquanto o mundo corria para implementar tecnologias de atendimento, a CAA/RS já possuía um fluxo implementado e, proporcionalmente ao avanço da epidemia, o número de atendimentos on-line na plataforma contratada pela entidade também crescia drasticamente – até porque manter a saúde psíquica talvez tenha sido um dos maiores desafios do ano.

Ainda no início do ano, quando as ações do Previne Saúde Mental ganharam importante reforço em sua divulgação, uma frase estampou um dos brindes da CAA/RS, lançando uma provocação: “leve a tranquilidade do verão para o ano todo”. Uma meta naturalmente difícil e que foi agravada pela pandemia. Checar extratos, pagar boletos, dar ordens, receber ordens, ser um bom profissional, bom filho, bom pai, resolver pendências, cumprir prazos, solucionar problemas de clientes – ou pelo menos fazer o possível para que isso ocorra – se atualizar constantemente, manter uma alimentação saudável e os exercícios em dia, ter oito horas de sono e um tempo para relaxar. Agora imagine cumprir tudo isso usando máscara e mantendo o isolamento social – enquanto se adapta a novos processos de trabalho remoto. Cansativo, não?!

É complexo manter a serenidade diante de um cotidiano insano e as férias são o momento em que toda esta pressão é reduzida. Recarregar as baterias de 2020 é necessário. Como diria Martha Medeiros:

Basta entrar na estrada e ela vira uma pessoa diferente. Coloca a música que mais gosta, abre a janela do carro e pensa com um sorriso indisfarçado: “estou deixando pra trás aquela outra” (...) ao passar por cada placa de sinalização, mais distante ela fica da sua cidade e mais perto de si mesma (...) Aquela lá, a que ficou, é uma mulher confiável, é uma mulher de olho no relógio e no calendário, uma mulher cumpridora do que esperam dela. Mas ela não pode estar no controle o tempo todo, ela tem que permitir que eu escape dessa organização de vez em quando (...) ela tem que aceitar e até mesmo incentivar que eu pegue essa estrada e a deixe de lado, que eu faça isso sem culpa, que eu faça isso por ela (Martha Medeiros, A garota da estrada).

Este ano as festas de final de ano e o período de férias serão diferentes, e uma série de medidas preventivas precisam ser consideradas para que momentos de celebração e relaxamento não se tornem tragédias (o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos publicou um material com as principais recomendações que você encontra traduzido para português CLICANDO AQUI).

Não sabemos quanto tempo a pandemia irá durar, nem quando receberemos a vacina. Tampouco sabemos o que 2021 nos reserva, mas algo é certo: a vida mudou e cultivar formas de estar bem consigo mesmo é um imperativo. Cultive a saúde mental, sem ela todo o resto fica mais difícil.

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Felipe Ornell

Psicólogo clínico, possui Residência em Saúde Mental (ESPRS) e especialização em Dependência Química; Mestre e Doutorando em Psiquiatria e Ciências do Comportamento (UFRGS). Pesquisador no Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Editor da Revista Brasileira de Psicoterapia. Professor titular do curso de Psicologia da Faculdade IBGEN, Grupo Uniftec e responsável técnico pelo Previne Saúde Mental.


E-mail: felipeornell@gmail.com
Site: http://lattes.cnpq.br/5402861891632171

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