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01.12.20

Distorções cognitivas, o que são e como afetam a sua vida

Felipe Ornell


Por que nós nos comportamos de uma determinada forma?

Não é a situação em si que influencia na forma como as pessoas pensam, sentem e agem, mas sim o significado ou a interpretação que elas dão às suas experiências. Quando a interpretação dos eventos é equivocada, ocorre um fenômeno chamado distorção cognitiva (ou erro de pensamento).

Todas as pessoas cometem erros cognitivos eventualmente. Se isso ocorre de forma eventual não há grandes problemas. Durante estados psicopatológicos, no entanto (como depressão e ansiedade por exemplo), as distorções são generalizadas, exageradas, irracionais e seguem um padrão estável (e disfuncional), gerando sofrimento e problemas nas relações interpessoais.

O que são distorções cognitivas?

Distorções cognitivas são pensamentos que fazem com que os indivíduos percebam a realidade de maneira imprecisa. São padrões de pensamento tendenciosos que interferem no processamento cognitivo, comprometendo a interpretação das situações cotidianas influenciando o modo de pensar, sentir e agir. Sintomas como tristeza, ansiedade e raiva, por exemplo, frequentemente são resultado de distorções cognitivas. Ou seja, as pessoas pensam sobre a realidade de maneira distorcida, o que causa diversos níveis de sofrimento. Muitas vezes, isso acontece sem que as pessoas percebam. Assim, detectar, analisar e resolver estas distorções é um elemento central do processo terapêutico.

Quais são as principais distorções cognitivas

  • Catastrofização: Pensar que o pior de uma situação irá acontecer, sem levar em consideração outros desfechos. Acreditar que o que aconteceu ou irá acontecer será terrível e insuportável.
  • Raciocínio emocional: Presumir que sentimentos são fatos.  Pensar que algo é verdadeiro porque tem uma emoção (na verdade, um pensamento) muito forte a respeito.  Deixar os sentimentos guiarem a interpretação da realidade.
  • Polarização (pensamento tudo-ou-nada, dicotômico): Ver a situação em duas categorias apenas, mutuamente exclusivas. Perceber eventos ou pessoas em termos absolutos. É caracterizado pela percepção de que existe somente duas alternativas para cada situação (é a ideia de “tudo ou nada”) sobre os acontecimentos, e que, para resolvê-la deve-se escolher ou se colocar em uma delas, sem considerar as outras possibilidades.
  • Abstração seletiva: Um aspecto de uma situação complexa é o foco da atenção, enquanto outros aspectos relevantes da situação são ignorados. Uma parte negativa (ou mesmo neutra) de toda uma situação é realçada, e todo o restante positivo não é percebido.
  • Leitura mental: Presumir, sem evidências, que sabe o que os outros estão pensando, desconsiderando outras hipóteses possíveis.
  • Rotulação: Colocar um rótulo global, rígido em si mesmo, numa pessoa ou situação, ao invés de rotular a situação ou comportamento específico.
  • Minimização e maximização: Características e experiências positivas em si mesmo, no outro ou nas situações são minimizadas enquanto o negativo é magnificado.
  • Imperativos (“Deveria” e “Tenho-que”): Interpretar eventos em termos de como as coisas deveriam ser, ao invés de simplesmente focar em como as coisas são. Afirmações absolutistas na tentativa de prover motivação ou modificar um comportamento.

Existe um padrão de apresentação das distorções cognitivas?

Cada transtorno psiquiátrico possui uma arquitetura cognitiva particular mais ou menos estável, é a partir disso que as experiências são captadas e as respostas emocionais e comportamentais são emitidas. Assim, o processo de tratamento precisa contemplar estas especificidades. A seguir o perfil cognitivo dos principais quadros psiquiátricos:

  • Depressão: Visão negativa dos outros, de si e do futuro
  • Episódio maníaco: Visão inflada de si, dos outros e do futuro
  • Comportamento suicida: Desesperança e conceito autodesqualificador
  • Ansiedade generalizada: Medo de perigos físicos ou psicológicos
  • Fobia específica: Medo de perigos específicos e evitáveis
  • Estado paranoide: Visão dos outros como manipuladores e mal intencionados
  • Pânico: Medo de um perigo físico ou mental iminente
  • Transtorno conversivo: Ideia de anormalidade motora ou sensória
  • Hipocondria: Preocupação com doença insidiosa
  • Transtorno obsessivo compulsivo: Pensamentos continuados  sobre  segurança e atos repetitivos para precaver-se de ameaças

Como resolver isso?

Centenas de artigos publicados nas últimas duas décadas tem demonstrado a efetividade da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) no tratamento de transtornos mentais. Observa-se que a TCC parte de três proposições fundamentais:

  1. A atividade cognitiva influencia no comportamento.
  2. A atividade cognitiva pode ser monitorada e alterada.
  3. O comportamento desejado pode ser influenciado mediante mudanças cognitivas.

Diante disso, corrigir as distorções cognitivas é um dos pilares do tratamento. Durante o processo terapêutico o paciente é auxiliado na identificação dos pensamentos automáticos, na categorizacão conforme a distorção cognitiva que representam e na contestação, buscando evidências que comprovem os erros cognitivos. Este mapeamento cognitivo é fundamental para que as distorções sejam substituídas por pensamentos adaptativos e realistas.

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Referências

Beck AT. Cognition, affect, and psychopathology. Arch Gen Psychiatry. 1971; 24(6):495-500.

Beck, J. S. (1997). Terapia cognitiva: Teoria e prática. Porto Alegre: Artmed.

Chand SP, Kuckel DP, Huecker MR. Cognitive Behavior Therapy. [Updated 2020 Oct 15]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470241/

Knapp, Paulo, & Beck, Aaron T. (2008). Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Brazilian Journal of Psychiatry, 30(Suppl. 2), s54-s64.

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Felipe Ornell

Psicólogo clínico, possui Residência em Saúde Mental (ESPRS) e especialização em Dependência Química; Mestre e Doutorando em Psiquiatria e Ciências do Comportamento (UFRGS). Pesquisador no Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Editor da Revista Brasileira de Psicoterapia. Professor titular do curso de Psicologia da Faculdade IBGEN, Grupo Uniftec e responsável técnico pelo Previne Saúde Mental.


E-mail: felipeornell@gmail.com
Site: http://lattes.cnpq.br/5402861891632171

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