Jornal da Ordem
Rádio OABRS
Twitter
Facebook
Istagram
Flickr
YouTube
RSS

24.11.20

Transtorno Obsessivo Compulsivo | Afinal, o que significa ter TOC?

Felipe Ornell


O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é talvez uma das condições psiquiátricas mais banalizadas. Frequentemente a frase “tenho TOC” é usada de forma equivocada, sinônima de “sou obsessivo” (penso ou me preocupo demais) ou “sou compulsivo” (gosto de tudo organizado). Isso está bastante distante da realidade. O TOC é um transtorno grave com características bem definidas, sobre as quais falaremos neste artigo.

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) tem como característica principal a ocorrência de obsessões, compulsões ou ambas. As obsessões são ideias, pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes, persistentes, indesejados e incômodos que provocam sofrimento e são intrusivos (ocorrem independente da vontade). Diante disso, o indivíduo tenta neutralizar as obsessões por determinados comportamentos ou atos mentais repetitivos, chamados compulsões (ou rituais), que se sente forçado a praticar para tentar diminuir ou evitar a ansiedade e a angústia causadas pelas obsessões. Os rituais são repetitivos, propositais, intencionais e não se conectam de maneira realista com os gatilhos que o ocasionaram (ou são claramente excessivos). Este processo gera prejuízo no funcionamento social, ocupacional, afetivo estando associado ao sofrimento intenso e incapacidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde o TOC é uma das dez condições mais incapacitantes, relacionada financeira e diminuição da qualidade de vida.

As obsessões comuns incluem preocupações com:

  • Contaminação - preocupação com germes/sujeira.
  • Dúvidas - por exemplo, supor que a porta da frente não foi trancada.
  • Simetria e organização - ação com objetos que não estão perfeitamente alinhados ou uniformes.
  • Acumulação compulsiva e colecionismo.

Pensamentos proibidos/tabus - impulsos ou imagens indesejáveis geralmente envolvendo comportamento violento ou agressivo (ferir ou agredir outras pessoas), sexual (molestar alguém, dúvidas sobre a orientação sexual) ou blasfemo (ofender a Deus.

As compulsões compensatórias mais comuns incluem:

  • Lavar ou limpar algo para evitar contaminação.
  • Verificar algo para eliminar dúvidas e buscar garantias - por exemplo, verificar muitas vezes que uma porta está trancada ou tirar fotos das tomadas para verificar se desligou objetos eletrônicos.
  • Contar - por exemplo, repetir uma ação um determinado número de vezes.
  • Ordenar - por exemplo, arrumar talheres ou objetos da mesa de trabalho em um padrão específico.
  • Repetir - diversas vezes um mesmo ato.

Os rituais podem ser realizados de forma precisa de acordo com regras rígidas, e  podem ou não estar logicamente conectados com a obsessão. Quando as compulsões estão logicamente conectadas à obsessão (por exemplo, tomar banho para evitar ficar sujo ou verificar o fogão para evitar incêndios), elas são claramente excessivas. A maioria das pessoas com TOC sabe que seus pensamentos obsessivos não refletem riscos reais e que seus comportamentos compulsivos são excessivos. No entanto, algumas pessoas estão convencidas que suas obsessões são bem fundamentadas e que suas compulsões são plausíveis.

Quais os fatores de risco?

A causa exata do TOC permanece desconhecida, mas provavelmente é multifatorial. Existe uma predisposição genética, pois 45 a 65% da variância do TOC é atribuível a fatores genéticos.  A ocorrência de alguns sintomas neuropsiquiátricos agudos na infância também tem sido estudadas e apontadas como fatores de risco. A incapacidade de lidar com a incerteza, um maior senso de responsabilidade e também o pensamento mágico parecem predispor as pessoas a hábitos obsessivo-compulsivos.

O TOC é um transtorno comum?

Estima-se que entre 1,6 a 2,3% das pessoas terão TOC longo da vida. A idade média de início dos sintomas é 19,5 anos, porém cerca de 50% dos casos têm o início ainda infância e na adolescência. É importante ressaltar que o surgimento do TOC após os 40 anos é incomum.

Aproximadamente 75% das pessoas com TOC também têm um diagnóstico vitalício de transtorno de ansiedade, e entre 50% e 60% têm um diagnóstico vitalício de transtorno depressivo maior. Além disso, entre 23% a 32% têm transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo, caracterizado por uma preocupação generalizada com organização, perfeccionismo e controle (sem espaço para flexibilidade) mas que quando ocorre isoladamente não contempla pensamentos obsessivos e rituais.

Como é o tratamento?

Antes de tudo, é importante salientar que é improvável que as pessoas com TOC busquem tratamento logo no início dos sintomas, o que pode ocorrer em função do constrangimento diante dos pensamentos intrusivos, como crenças sexuais inadequadas ou comportamento ritualístico.

Apesar de ser um transtorno cujo tratamento é desafiador, nas últimas três décadas  tem se observado a introdução de métodos efetivos de tratamento: a terapia de exposição e prevenção de respostas (EPR), ou a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e os medicamentos antiobsessivos. Recentemente, tem se acumulado evidências sobre a utilização de Mindfulness como estratégia complementar. Como foi abordado anteriormente, muitas pessoas com TOC também têm outros transtornos de saúde mental, isso também precisa ser considerado para um tratamento mais efetivo.

Se você se identificou com o texto saiba que a CAA/RS oferece atendimento psicológico presencial com condições especiais para a advocacia (você pode encontrar um conveniado clicando AQUI), ou on-line (clicando AQUI). É sempre importante ressaltar que o conteúdo das consultas é sigiloso e que a CAARS não tem acesso ao material terapêutico.

 

1.         Hannah B, Manassa H. Obsessive-Compulsive Disorder. 2020.

2.         Richter PMA, Ramos RT. Obsessive-Compulsive Disorder. Continuum (Minneapolis, Minn). 2018;24(3).

3.         Wheaton MG, Abramowitz JS, Berman NC, Riemann BC, Hale LR. The relationship between obsessive beliefs and symptom dimensions in obsessive-compulsive disorder. Behav Res Ther. 2010;48(10):949-54.

4.         APA. Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders (DSM-5). Washington: American Psychiatric Association; 2013.

5.         Rosario-Campos MC, Mercadante MT. Transtorno obsessivo-compulsivo. Braz J Psychiatry. 2000;22:16-9.

6.         Cordioli AV. A terapia cognitivo-comportamental no transtorno obsessivo-compulsivo. Braz J Psychiatry. 2008;30.

7.         Hounie AG, U, Brotto SA, Diniz J, Chacon PJ, Miguel EC. Transtorno obsessivo-compulsivo: possíveis subtipos. Braz J Psychiatry. 2001;23:13-6.

felipe para o site.jpg

Felipe Ornell

Psicólogo clínico, possui Residência em Saúde Mental (ESPRS) e especialização em Dependência Química; Mestre e Doutorando em Psiquiatria e Ciências do Comportamento (UFRGS). Pesquisador no Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Editor da Revista Brasileira de Psicoterapia. Professor titular do curso de Psicologia da Faculdade IBGEN, Grupo Uniftec e responsável técnico pelo Previne Saúde Mental.


E-mail: felipeornell@gmail.com
Site: http://lattes.cnpq.br/5402861891632171

Encontre um Conveniado
Publicações Relacionadas
REDE DE
PROFISSIONAIS
COMO FUNCIONA
CAA/RS SAUDEMENTAL
Categorias
SERVIÇOS
BOLETIM INFORMATIVO. CADASTRE-SE!
REDES SOCIAIS E FEED
RSS
YouTube
Istagram
Facebook
Twitter
Flickr
JORNAL DA ORDEM
Jornal da Ordem
MAPA DO SITE
Abrir

CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS DO RIO GRANDE DO SUL

Rua Washington Luiz, 1110, 5º andar - Centro - CEP 90010-460 - Porto Alegre - RS | (51) 3287.7498 | presidencia@caars.org.br

Envie uma mensagem    |    Mapa de localização

© Copyright 2021 Caixa de Assistência dos Advogados do Rio Grande do Sul    |    Desenvolvido por Desize