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17.11.20

Saúde Mental | Por que os homens não falam sobre o assunto?

Felipe Ornell


 

Uma “epidemia silenciosa”. Assim tem sido qualificada a problemática envolvendo a saúde mental dos homens. Uma questão de saúde pública delicada, que requer atenção especial e estratégias que contemplem uma série de particularidades, incluindo a forma como a apresentação e a expressão do sofrimento masculino ocorrem.

Antes de tudo, é importante ressaltar que os estereótipos de gênero não afetam apenas a saúde mental das mulheres. Apesar de ser amplamente discutido que as expectativas relacionadas a aparência e ao comportamento impactam sobre a esfera emocional feminina, é comum que se subestime a angústia dos homens diante de estereótipos. Frequentemente, se espera que os homens sejam dominantes, provedores, detentores do controle, fortes e imunes ao sofrimento. Embora esses elementos não sejam necessariamente ruins, os ideais sociais e os papéis tradicionais de gênero podem gerar sofrimento. Além disso, a dificuldade de estabelecer um diálogo sobre emoções com amigos e familiares - já que emoções são frequentemente associadas a fraqueza – pode tardar o reconhecimento de sintomas relacionados a saúde mental — e, consequentemente, ocasionar obstáculos na busca por medidas de suporte.

Apesar da prevalência geral de transtornos mentais em homens ser normalmente mais baixa, é possível que isso esteja pelo menos parcialmente associado, a menor probabilidade de buscar tratamento de saúde mental do que as mulheres. Também, observa-se a existência de particularidades na forma como os transtornos psiquiátricos se apresentam em homens, o que podem comprometer a identificação precoce. Durante a depressão, por exemplo, principalmente nos estágios iniciais, é comum que homens manifestem sintomas como irritabilidade, raiva, hostilidade, agressividade e exposição comportamentos de risco. Isso pode mascarar os sintomas mais típicos de depressão, como tristeza, choro, sentimento de culpa e mudanças no apetite.  Observa-se ainda, que esses tipos de sinais e sintomas começaram a ser reconhecidos como indicadores precoces de depressão masculina apenas recentemente. Se não forem detectados e tratados, eles podem gerar consequências nocivas.

Destaca-se que homens são mais propensos a usar métodos de enfrentamento potencialmente prejudiciais, como álcool e drogas para lidar com a depressão e a ansiedade, em vez de falar sobre elas. Também é comum o uso de comportamentos escapistas, como “se jogar no trabalho”. Este cenário denuncia alguns problemas históricos: a desqualificação cultural da manifestação do sofrimento masculino e as ideias errôneas de que expor as emoções e buscar auxílio são sinais de fraqueza.

Diante disso, observa-se que os homens têm uma forma singular de demonstrar suas emoções e, face ao sofrimento psíquico, apresentam peculiaridades no que diz respeito à procura por auxílio especializado. O mito de que se deve ser uma fortaleza o tempo todo faz com que os homens acabem por não falar sobre o que estão enfrentando e, muitas vezes, fiquem presos em seus próprios pensamentos e tentem lidar com os mesmos com comportamentos pouco assertivos. Prova disso é que, atualmente, homens cometem três vezes mais suicídio do que mulheres. Em contraponto, os diagnósticos de depressão e o envolvimento terapêutico em serviços de saúde mental ainda são mais baixos entre os homens.

Uma questão importante que afeta a prestação de serviços para os homens é a busca de ajuda. Se um homem realmente reconhecer um problema e reconhecer a necessidade de ajuda, ele procurará? Frequentemente, a resposta é não. Embora pedir ajuda seja difícil para muitas pessoas, está bem documentado que os homens tendem a ser relutantes em procurar ajuda em vários contextos, incluindo ajuda para problemas de saúde mental.

É sempre pertinente ressaltar que há alguns sinais importantes que podem indicar que a sua saúde mental pode estar fragilizada:

  1. Problemas no sono
  2. Ansiedade ou tensão constantes
  3. Alterações abruptas no humor
  4. Irritabilidade
  5. Afastamento de pessoas e atividades
  6. Problemas de memória
  7. Falta de motivação e de vontade
  8. Desesperança e tristeza
  9. Impulsividade
  10. Intensificação do consumo de álcool (ou de outras drogas)

Se você, ou algum familiar está passando por alguma dificuldade não espere, busque acompanhamento especializado imediatamente. A CAA/RS oferece atendimento psicológico presencial com condições especiais para a advocacia (você pode encontrar um conveniado clicando AQUI), ou on-line (clicando AQUI). É sempre importante ressaltar que o conteúdo das consultas é sigiloso e que a CAARS não tem acesso ao material terapêutico. 

Felipe Ornell, psicólogo

 

Referências

Affleck, W., Carmichael, V., & Whitley, R. (2018). Men's Mental Health: Social Determinants and Implications for Services. Can J Psychiatry, 63(9), 581-589.

Chatmon, B. N. (2020). Males and Mental Health Stigma. Am J Mens Health, 14(4), 1557988320949322.

McKenzie, S. K., Collings, S., Jenkin, G., & River, J. (2018). Masculinity, Social Connectedness, and Mental Health: Men's Diverse Patterns of Practice. Am J Mens Health, 12(5), 1247-1261.

Mental-Health. (2018, 2018-10-26). Men and mental health. from https://www.mentalhealth.org.uk/a-to-z/m/men-and-mental-health

Ogrodniczuk, J., Oliffe, J., Kuhl, D., & Gross, P. A. (2016). Men's mental health: Spaces and places that work for men. Can Fam Physician, 62(6), 463-464.

WHO. (2013). Gender and women's mental health. WHO.

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Felipe Ornell

Psicólogo clínico, possui Residência em Saúde Mental (ESPRS) e especialização em Dependência Química; Mestre e Doutorando em Psiquiatria e Ciências do Comportamento (UFRGS). Pesquisador no Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas - Hospital de Clínicas de Porto Alegre / Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Editor da Revista Brasileira de Psicoterapia. Professor titular do curso de Psicologia da Faculdade IBGEN, Grupo Uniftec e responsável técnico pelo Previne Saúde Mental.


E-mail: felipeornell@gmail.com
Site: http://lattes.cnpq.br/5402861891632171

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